quinta-feira, 24 de abril de 2014

SE O CAPITALISMO É TÃO BOM ...



Como livre pensador não tenho, além da verdade, compromisso com nada – nem ideologia, nem partido político, nem igreja, nem seita,..., nem com a repetição das palavras de qualquer formador de opinião, importante ou não, pago ou não. Como tal, ando meio incomodado com o “perigo comunista” que está, novamente, sendo plantado pela mídia em geral e nas redes sociais. O lamentável é que esse “perigo” sempre é apresentado, pelo menos desde 1937 (quando foi apresentado pelo Integralismo, através do capitão Olímpio Mourão Filho, o mesmo que deu partida ao golpe de 1964, um falso plano comunista de tomada do poder, denominado Plano Cohen), quando há um governo que faz um pouco mais pela população em geral mas, especialmente, pelos eternos excluídos.

Esse “perigo comunista”, parece-me, que é jogado aos quatro ventos meio que num desespero mas, como legítima propaganda enganosa, quiçá, subliminar, que visa elogiar o que temos. E o que temos em termos de sistema político-econômico é o capitalismo. Assim, resolvi fazer alguns questionamentos, quem sabe, alguém possa esclarecer-me, jogar luz sobre a minha ignorância relacionada aos supostos benefícios que o capitalismo legaria à população.

1º) Em qual país existe Partido Capitalista?
Obs.: no Brasil, atualmente, eles se apresentam, principalmente, com estes eufemismos: democrata, democrático, liberal, progressista, republicano e trabalhista, e, às vezes, utilizam combinações de dois destes engodos.

2º) Por que há miseráveis, inclusive nos EUA, nos países capitalistas?
         Obs.: a) nos EUA alguns milhares de seres humanos continuam vivos graças ao óleo para calefação doado pela Venezuela; b) o auto proclamado 1º mundo só não tem os miseráveis do, batizado por eles, 3º mundo, por que tem, justamente, este para explorar.

3º) Por que o capitalismo não acaba com o desemprego?

4º) Por que no capitalismo há a necessidade de legislação que proteja os empregados e os consumidores?

5º) Por que no Brasil há tantas ações judiciais por abuso do poder econômico?

6º) Por que os senhores capitalistas não cumprem a legislação? Por que há necessidade de fiscalização?

7º) Por que os senhores capitalistas gastam tanto em patrocínio de campanhas eleitorais?

8º) Por que há paraísos fiscais, com regras de sigilo, em países capitalistas onde gente do mundo, inclusive ditadores e comunistas, deposita dinheiro mal havido?

9º) Por que há corrupção no capitalismo?

10º) Por que no capitalismo há inflação?

11º) Por que sempre que algum governo, mundo afora, faz um pouco mais pelos eternos excluídos ou coloca algum limite na ganância das grandes empresas ele é tachado de comunista? De desejar implantar o comunismo?

12º) Se o capitalismo é tão bom, por que tentar assustar o eleitor com o “perigo comunista”?

         Por favor, ajudem este pobre ignorante, a não continuar vendo, a pesar das evidências, o capitalismo como um sistema de exploração dos trabalhadores e dos consumidores; a não ver o capitalismo como um sistema que necessita da exclusão – desemprego e miséria; a não ver aquilo que o capitalismo chama de democracia como a mais abjeta plutocracia, que até para os peritos não existe mais.

         O capitalismo teórico da livre iniciativa, da lei da oferta e da procura, é maravilhoso. Só tem um defeito: não existe em lugar algum, não deixa ninguém rico.

         O comunismo teórico e o comunismo “perigoso” igualmente não existem. O que há em Cuba e na China é capitalismo de estado, que pode produzir milionários.

         A plutocracia, de fato, é o sistema político-econômico mais abjeto por que ela é uma ditadura econômica, com todo regramento jurídico feito e aplicado para atender aos interesses dos senhores donos do capital.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

INFLAÇÃO: o mote eleitoreiro da vez

          É engraçado como a elitocracia e seus políticos tem dificuldade em apresentar novos argumentos. O papo, quando há um governo, seja municipal, estadual ou federal, que faz um pouco mais pelos eternos excluídos, gira sempre em torno dos mesmos assuntos:
- comunismo;
- censura à liberdade de expressão;
- incompetência;
- corrupção;
- inflação.

          Tirando o comunismo o restante são exatamente temas em que a elitocracia é perita. Práticas em que ela e os seus políticos são useiros e vezeiros.

          Olhando, desapaixonadamente, os 12 anos que antecederam ao primeiro mandato petista no governo federal, não é difícil encontrarmos atitudes, exatamente, iguais àquelas que são criticadas no governo federal desde 2003.

          No que diz respeito à incompetência atribuída ao governo federal atual eu fico a perguntar, referindo-me ao governo FHC: um desemprego na casa de 15% e mais de 90% das micro e pequenas empresas quebrando antes do 1º aniversário, se não é incompetência é o quê?

          No que se refere ao final do governo FHC pergunto: fazer aprovar uma lei que dê imunidade pós mandato, se não tem a ver com atos ilegais, significa, exatamente, o quê?

          Agora que a economia nacional está passando por uma elevação continuada no custo de vida - equivocadamente chamada de inflação - isto virou motivo para politicagem.

          Temos uma economia em que parcela considerável da população tem algum dinheiro para gastar, convivemos com quedas na produção agrícola e, como sempre, convivemos com um empresariado inescrupuloso, particularmente, o grande, aquele que tem condições de fazer preços, ditar comportamentos, eleger e derrubar governantes. E, a exemplo do que ocorreu durante o plano cruzado em 1986, há intencional redução na produção e estocagem especulativa de produção. Como os governantes, uns mais e outros menos, estão à mercê deles, não podem intervir como seria necessário para o bem da população em geral.

          Enquanto o nível de desemprego não crescer de modo continuado, não há por que imaginar que estamos a um passo da volta da alta inflação, como alguns políticos, por demais identificados com a elitocracia, estão alardeando.

    

          


sábado, 19 de abril de 2014

BERNARDO & OS DESAPARECIDOS

            Será que todos que são levados à morte como o menino Bernardo de Três Passos/RS são encontrados? Têm seus corpos descobertos?

        Quantos entre os tantos desaparecidos podem estar enterrados em qualquer lugar? Ou dissolvidos em ácido, o provável fim de Elisa Samúdio?

     

        
 


sexta-feira, 18 de abril de 2014

O CLAMOR PRÓ MORALIZAÇÃO E CONTRA OS POLÍTICOS




Em geral os grandes clamores encampados pela mídia e, não raramente, passados como clamor público, têm algum interesse oculto. Se oculto, ao menos como regra, escuso.

Já tivemos um clamor desses em prol das privatizações, há cerca de 20 anos, quando era dito que o Brasil precisava de dinheiro para investir em educação, saúde, segurança, rodovias e gerar empregos mas, não tinha de onde tirar e tampouco como tomar emprestado. Ademais o governo era mau gestor, logo, tinha que vender o patrimônio público para com o dinheiro das vendas fazer aqueles investimentos. Tudo ou quase tudo de economicamente interessante foi vendido e a educação, a saúde, a segurança, as rodovias e o desemprego em nada melhoraram. E os pais do clamor? Silenciaram!

No final dos anos 1990 e início dos anos 2000 houve outro clamor, desta vez envolvendo o futebol profissional. Tudo que os ‘experts’ da mídia esportiva bradavam era que a salvação do futebol do Brasil eram as parcerias com as empresas de ‘marketing’ esportivo. Depois que um deputado federal sugeriu, lá pelo ano de 2000 ou 2001, que essas empresas fossem auditadas pela Receita Federal, elas foram embora, e os clubes parceiros ficaram com as dívidas, alguns experimentaram o rebaixamento. Já se vão mais de 10 anos e o futebol continua vivo. E os ‘experts’? Sobre o tema silenciaram, querem distância.

Agora estamos diante de um novo clamor onde os políticos são atacados.

A corrupção existe desde quando Cabral aqui pisou pela vez primeira, logo, não pode ser esta a verdadeira motivação de tal clamor. Até porque se o erário for buscar o que é seu de direito, muitos que clamam talvez fiquem em maus lençóis. O que estaria, então, movendo toda esta gritaria contra os políticos?

Na verdade não é contra os políticos. A forma como falam é a forma politicamente correta. Isto é, não ficam de mal, ao menos tentam não ficar, com quem está chefiando o Governo Federal. E é este, senão o único, o principal alvo de expressões como nenhum político faz nada pelo povo. E nisto não há nada de original, em outras épocas o mesmo expediente já foi utilizado.

Mas, por que toda esta pressão contra o Governo Federal chefiado pelo PT?

Não é difícil entender. Afinal, foi a partir de quando este partido assumiu a chefia do Governo Federal em 2003, que ocorreram algumas pequenas grandes, embora não destacadas pela mídia, mudanças no rumo da economia do Brasil.

Uma das primeiras contrariedades da elitocracia brasileira com o Governo Lula em 2003 foi quando foram anunciados os valores de custeio da safra agrícola do período seguinte. Embora ainda tivesse ficado muito aquém do valor destinado ao chamado agronegócio, o valor destinado para o financiamento da agricultura familiar, percentualmente, aumentou muito mais do que aquele.

Hoje a agricultura familiar responde por cerca de 70% daquilo que alimenta a nós brasileiros, embora os valores do financiamento público a ela destinados não devam chegar a 1/3 do dinheiro destinado aos grandes produtores rurais.

Na mesma linha foram criadas condições para a geração de oportunidades de trabalho. Tanto que o desemprego no Brasil está na casa de 6 a 7%. Antes de 2003, não raro, batia na casa dos 15%. Na região metropolitana de Porto Alegre, por exemplo, de 1994 (ano de lançamento do plano real) até 2002, o número de desempregados girava em torno de 300 mil. Hoje está abaixo da metade disto.

O desemprego abaixo de 5% coloca a existência do capitalismo na forma que o conhecemos em risco.  Por isto, para os senhores capitalistas, urge reverter tal situação! Como? Colocando alguém vinculado a eles no Planalto!

Historicamente, as classes trabalhadoras pleiteavam um salário mínimo de 100 dólares. Hoje ele está na casa dos 300 dólares, o que, smj, significa cerca de 5 vezes o valor da época do lançamento do plano real.

Hoje os bancos públicos do Brasil também atendem aos pequenos empreendedores, diferentemente de ontem, quando a elitocracia, os donos do grande poder econômico eram os verdadeiros e únicos donos das chaves do erário.

Isto, por si só, explica, senão no todo, grande parte deste clamor.

Tudo indica que a economia nacional se manterá, apesar do baixo crescimento do PIB, justamente por que agora ela está um pouquinho menos voltada aos chamados grandes empreendedores. E este pouquinho está virado para os pequenos empreendedores. O que faz toda a diferença!

A economia brasileira está experimentando uma mudança estrutural e isto, por óbvio, revolta aqueles que estavam acostumados a ditarem, unicamente conforme os seus interesses, as regras do jogo. Estão tão aflitos com isto que estão apostando suas fichas, até mesmo, num candidato do Partido Socialista.