quarta-feira, 16 de abril de 2014

RACISMO: o que é pior, ser vítima dele ou ter um dedo em riste no rosto e nada fazer?



          Recentemente tivemos vários casos de preconceito racial envolvendo pessoas que atuam no futebol profissional. Teve um caso aqui no Rio Grande do Sul que alcançou grande repercussão. Foi o caso do árbitro Márcio Chagas, em cujo carro, estacionado no estádio do Clube Esportivo de Bento Gonçalves, onde ele apitava um jogo, foram colocadas bananas e a lataria do veículo amassada. Dias depois ele, juntamente, com o jogador Tinga, do Cruzeiro de Belo Horizonte, também vítima de racismo, foram recebidos pela Presidência da República.

            Em julgamento de recurso do Clube, no dia 10/04, no Tribunal de Justiça Desportiva/RS, frente às palavras do advogado de defesa do clube, Márcio Chagas, segundo o jornal ZH de 13/04/14, teria dito a seu advogado “Minha vontade é levantar daqui e dar um soco na cara dele”.

            Fico a imaginar a dor deste homem! Pois, qualquer discriminação dói, e como dói. Qualquer palavra dita que coloque a versão da vítima em dúvida, com toda certeza, machuca e machuca muito. Machuca no fundo da alma.

            No caso das bananas no carro do árbitro Márcio Chagas, longe dos seus olhos e fora do seu controle, isto deve ter sido muito difícil de engolir.

            Por outro lado, assistindo ao jogo de futebol (Internacional versus Grêmio) que ele apitou no último domingo em Caxias do Sul, eu fico a me perguntar quão terrível deve ter sido aos sentimentos do Sr. Márcio Chagas ver o jogador D'Alessandro apontando o dedo indicador para seu rosto três ou quatro vezes, durante o jogo, e ele não poder puni-lo, como manda a regra, e sequer poder fazer uma reprimenda verbal.

            Recentemente esse atleta declarou que a arbitragem roubava do Internacional, o seu time. O atleta foi denunciado à justiça Desportiva, e esta o absolveu.

            Imaginem o sentimento do árbitro! Se o Tribunal absolve quem ofendeu a arbitragem como um todo, como ele, árbitro, isoladamente, vai atrever-se a punir atitudes deste jogador como revide contra adversário, dedo em riste no seu rosto, socar a bola no chão inconformado com falta marcada contra seu time, simular falta,...

         Eu, ao longo da minha adolescência, muitas vezes fui vítima, por ser pobre, de preconceito, de discriminação. Nunca, todavia, acovardei-me diante dos agressores.

            Senhor Márcio Chagas, tenho-lhe como um cidadão íntegro e que conhece as regras do futebol mas, a sua atuação no domingo último foi de um apequenamento homérico. Eu, em décadas, nunca vi algo tão triste, tão lamentável: dedo no seu rosto e dois cartões punitivos nos seus bolsos, e o Senhor nada fez, aceitou o desrespeito. Que triste! Fico a perguntar o que é pior, ser vítima de preconceito ou de truculência e, podendo tomar alguma atitude, não tomá-la?

domingo, 13 de abril de 2014

VIOLÊNCIA DEGRADANTE – editorial interativo publicado no jornal ZH de 13/04/14


            Lá pelas tantas está escrito “O Brasil só alcançará êxito no combate à criminalidade se desenvolver mecanismos preventivos, que EVITEM A DISSEMINAÇÃO E O CONTÁGIO DE COMPORTAMENTOS ANTISSOCIAIS.”  (grifo meu)

Estranho “evitem a disseminação”. 
Ora, ora, quem mais DISSEMINA os comportamentos antissociais do que a televisão? Basta assistir a 10 minutos de qualquer novela, de qualquer “reality show”. Basta assistir 10 minutos de uma série de programas e filmes, inclusive infantis, da tevê brasileira, como os humorísticos, onde está cheio de “bullying”, p.ex., e da mais absoluta e deletéria sacanagem.

Toda vez que a tevê mostra o “glamour” da vida dos traficantes de drogas, o que ela está dizendo ao inconsciente do(a) jovem excluído(a) do mercado de trabalho e consumidor?

Ora, ora, se sabem por que não param com a significativa parcela de DISSEMINAÇÃO dos comportamentos antissociais veiculados, diuturnamente, pelos canais de televisão, que ainda são concessões públicas? Medo que as receitas caiam?

O editorial ainda diz “...cabe ao poder público, com a representatividade concedida pelos cidadãos, proporcionar oportunidades de....” e “O Brasil só superará esta condição de violência degradante quando governantes, lideranças da sociedade e cidadãos se empenharem de forma intransigente pela melhora...e pela responsabilização dos infratores das leis e das regras sociais.”

O poder público CONCEDE o serviço de TV e seus CONCESSIONÁRIOS também têm leis e regras sociais a cumprir – mas também não as cumprem – que incluem PROGRAMAÇÃO VOLTADA À EDUCAÇÃO E LAZER, nunca à pornografia e à violência com que a tevê brasileira “brinda” sua assistência.

Este editorial do jornal ZH, do Grupo RBS, lembra, e como lembra, o ditado “faça o que digo mas, não faça aquilo que eu faço”.

Não posso esquecer que o Grupo RBS têm dois candidatos, ex-funcionários seus, a disputarem a eleição deste ano. Um ao senado e a sua senadora ao governo gaúcho. Ambos em total oposição, pelo menos ao atual Governador do RS.

Querem que o Poder Público cumpra a lei, nada mais justo! Mas, por que eles também não a cumprem e passam a apresentar uma programação que não dissemine comportamentos antissociais?  Sentem-se ou estão acima da legislação? Nada mais abominável, violento e degradante!

Até quando vão continuar jogando areia nos olhos da população para atenderem, diferentemente do que propalam, aos seus interesses, utilizando-se de uma concessão pública?

quinta-feira, 10 de abril de 2014

67 pessoas TÊM RIQUEZA IGUAL À METADE DA POPULAÇÃO HUMANA



Dados apresentados ontem no portal yahoo e que teriam sido divulgados pela Oxfam – Comitê de Oxford de combate à fome – são reveladores da perniciosidade dos sistemas político-econômicos existentes no mundo. Da má índole das elites dominantes, os donos do grande poder econômico. Dentre eles, por óbvio, sobressai o capitalismo prático, aquele com que a humanidade convive. O chamado comunismo, que na maioria das vezes é um capitalismo de estado, também tem a sua responsabilidade, embora, no geral cuide melhor de questões como educação, saúde, alimentação e moradia.

Estes números por si só mostram que o sistema econômico predominante no planeta tem culpa, é ruim na sua prática. Ele é, por formação ou por opção de seus donos, um sistema de exclusão. Para tanto ele não mede esforços:
- exclui dentro dos países dominados, e
- exclui países, o chamado terceiro mundo, para que o chamado primeiro mundo possa servir de modelo, à base da riqueza retirada em sub e superfaturamentos comerciais entre eles.

Com dados assim é fácil entender por que em lugar algum da Terra existe partido capitalista. Em verdade eles existem sob a fachada de ‘democráticos’. Assim, escondem a sua verdadeira identidade: a plutocracia.

         Não é à toa quando em algum país periférico a taxa de desemprego se aproxima dos perigosos 5% os meios de comunicação, quase que em uníssono, começam a atacar ao Governo. Abaixo disto os salários sobem a ponto de ameaçarem a continuidade da acumulação de riqueza.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A LIBERDADE EXISTE

A liberdade de fato existe e nós temos, concretamente, liberdade.

Liberdade plena, sim senhores,  temos plena liberdade de fazer tudo aquilo que interessa aos donos do grande poder econômico. Este através da mídia, a toda hora, nos diz o que devemos comprar, que roupa vestir, que notícia aceitar, em quem votar, se podemos ou não fazer greve, que músicas devemos escutar, como brigar, como roubar, como matar, e assim por diante.

Nossas vidas são fartas de liberdade basta que não nos vistamos de autonomia e tentemos contrariar o que a mídia, o canal difusor da ideologia dos donos do grande poder econômico, nos diz rotineiramente.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

PADRÃO FIFA???

Virou meio moda todo mundo falar em Padrão Fifa ao se referir a serviços de qualidade.

Confesso que eu tenho uma grande resistência em usar como sinônimo de qualidade algo, alguém ou uma entidade tão frequentemente acusada de estar envolvida em negócios escusos.

Aí fico a pensar, estes que em seus protestos clamam por Padrão Fifa, o que desejam?

As obras que são ditas 'padrão fifa', pelo pouco que tenho visto, deixam bastante a desejar.

Ou a menção ao Padrão Fifa é ato falho? 

Assim, aqueles que bradam por 'padrão fifa' estariam, de fato, de olho no escuso, numa beirinha? Reclamam do superfaturamento das obras mas, no fundo, lá no fundinho, estariam desejosos, mesmo, de sentar à mesa dessa partilha?

As nossas palavras muito dizem de nós. Cuidado no que falais!


terça-feira, 1 de abril de 2014

SALVE, SALVE,...

Num debate sobre o Golpe de Estado de 1º de abril de 1964 - tão valentes armados e em grupo e tão amarelos que mudaram a data para 31 de março - alguém insistiu muito, face a uma pesquisa da época, que só agora foi divulgada e na qual o governo Jango tinha 65% de aprovação, POR QUE NÃO RESISTIU? POR QUE NÃO RESISTIU?

Faço-me, seguidamente, a mesma pergunta frente aos deploráveis, embora a preços extorsivos, serviços de telefonia e internet que temos em nosso meio. Se até o pessoal da mídia reclama, POR QUE NINGUÉM FAZ NADA? POR QUE A POPULAÇÃO ACEITA PACIFICAMENTE CLICAR e TECLAR, RECLICAR e RETECLAR e PAGAR e PAGAR...com sinal que, talvez, chegue a 1/3 do contratado e, sabe-se lá, 5, 10 vezes mais caro do que o necessário para dar polpudos lucros aos donos das concessionárias.

Ir às ruas protestar e quebrar o que estiver pela frente parece ser mais fácil que enfrentar estes legítimos lesa-povo!